sábado, 26 de maio de 2012

Você é inseguro?

Esta questão faz parte do reportório do ser humano. Quantas vezes já não ouvimos outros a questionarem se somos ou não inseguros? E quantas vezes, também, nós próprios assumimos que somos inseguros nos nossos diálogos internos e externos?

 
Pois é, hoje pensei sobre a insegurança e cheguei a uma conclusão. Estamos todos enganados, deludidos. A nossa mente obnubilada não nos permite ir mais além do que aquilo que ela vê. A insegurança significa um não à-vontade ou mesmo dificuldades na vida relacionadas com a confiança. Ser inseguro é, portanto, um não à-vontade ou dificuldade em todas as áreas da nossa vida. Mas isto na pode ser assumido como verdade. Podemos ser inseguros em determinadas áreas da nossa vida e não o sermos em outras. Isto faz de nós inseguros ou pelo contrário faz de nós seres com alguma insegurança em determinadas Eu posso ser uma pessoa insegura perante o meu futuro, posso sentir insegurança nas relações interpessoais que estabeleço e posso sentir-me insegura em situações que desconheço. No entanto, eu posso ser uma pessoa segura em relação àquilo que quero, em relação àquilo que não quero e posso ser segura em relação às minhas competências específicas de poesia. E então, sou ou não uma pessoa insegura?


Questionar sobre a nossa insegurança leva-nos a uma das grandes falácias do ser humano e que nos remete para a generalização. O ser humano não consegue movimentar-se sem atribuir um significado (para si inteligível) às coisas que o rodeiam e a si próprio. Por esse motivo, a partir de determinadas características ou atributos generaliza-os em função de uma categoria ou bloco de informação. Por conseguinte, assume como verdadeiro o todo e não as partes. Esta dificuldade está patente em tudo aquilo que nos rodeia e nas significações que atribuímos ao nosso redor.

Partindo deste princípio, então, talvez a maioria das pessoas que se assume ou que se acredita como sendo insegura, não o é. Apenas o é em algumas das áreas da sua vida e isso não faz dela uma pessoa insegura. A importância de compreendermos esta aceção radica no impacte que a mesma tem nos nossos discursos interiores e, consequentemente, em toda a nossa vida. Talvez por isso muitas vezes sofremos, dada a incapacidade de diferenciarmos as partes do todo.

Os nossos discursos internos acabam por ir neste sentido, isto é, ao me assumir como uma pessoa insegura, eu só posso ter comportamentos que reforçam essa minha crença, como se se tratasse de uma profecia autorealizada.
Na verdade, quando alguém lhe perguntar se você é uma pessoa insegura, sugiro que pense duas vezes antes de dar a sua resposta. Analise quais as suas inseguranças e decida se realmente essas dificuldades são extensíveis a todas as áreas da sua vida ou, se pelo contrário, se restringem a áreas específicas que você consegue facilmente identificar.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Qual é o caminho?...


Quantas vezes já não nos questionamos qual é o nosso caminho, qual é o verdadeiro caminho que devemos seguir. As respostas para esta questão são inúmeras, por vezes confusas, difusas e contraditórias.
Muitas pessoas para responderem a esta questão, socorrem-se das informações que vão lendo aqui e ali ou que lhes são transmitidas pelos outros, todavia, ainda se encontram a deambular na procura insana do caminho... A este propósito, importa referir que o caminho, antes de mais, é uma escolha e como tal, é pessoal. E como se trata de algo pessoal deverá ser encontrado pelo próprio sujeito que o procura. Assim sendo, o caminho de cada um é encontrado quando estão abertos os canais que levam ao seu interior. Não adianta percorrermos estradas e atalhos que pertencem aos outros, não adianta procurarmos caminhos similares para não nos sentirmos sozinhos... Apesar da experiência que se adquire nestas deambulações de procura, encontramo-nos, cada vez mais, afastados do nosso verdadeiro caminho. O nosso verdadeiro caminho é o interior. Aquele que se constitui como um reservatório de aprendizagens intemporais e que diz respeito apenas a cada um de nós na nossa individualidade física, moral, sensorial e espiritual. Quando o caminho interior surgir na nossa vida, não podemos esperar que tudo se torne mais fácil e mais acessível. Pelo contrário. Quando o caminho é encontrado e quando acreditamos tratar-se verdadeiramente do "nosso" caminho, mil e um obstáculos surgem para que possamos ter certeza que é por ali que queremos continuar. É neste sentido que devemos ter consciência da impermanência da vida, i.e., do seu estado permanente de mudança. Quando não aceitamos este facto, não podemos sentir-nos tranquilos e, consequentemente, abraçamos o sofrimento. Este, por sua vez, aporta inúmeros questões que colocam em causa o nosso caminho.A chave encontra-se, então, em procurarmos aceitar tudo aquilo que nos rodeia de forma inteligente e procurarmos aprofundar o nosso encontro connosco mesmos, por forma a trazermos paz, harmonia e felicidade para o nosso coração.

O Poder Curativo da mente

Um dos maiores contributos da ciência moderna foi descobrir que a mente e o corpo não são coisas separadas e independentes, apenas uma mesma entidade vista sob pontos de vista diferentes. Assim, Descartes equivocou-se ao separar o corpo e a mente. A Medicina Ocidental acabou por seguir os seus passos e também ela se enganou, ao deixar de lado a importância do estado mental dos sujeitos no momento de avaliar o seu estado de saúde. Actualmente, o conceito de saúde segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) refere que esta é o estado completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença ou enfermidade. Este novo enfoque de saúde integra uma dimensão mais ampla do sujeito, nas suas dimensões física, mental e social. A análise de diversos estudos que relacionam as emoções e a saúde mostram que há, entre estes dois conceitos, uma relação muito próxima: as pessoas que padecem de um mal-estar crónico (por exemplo, ansiedade, preocupações, depressão, pensamentos negativos face à vida, hostilidade), têm uma maior probabilidade de padecer de alguma enfermidade grave. Os investigadores do novo campo científico da psiconeuroimunologia (que estuda as relações biológicas entre a mente, o cérebro e o sistema imunológico) têm realizado descobertas interessantes sobre os misteriosos mecanismos que interligam a mente e o corpo, pondo em destaque as ligações entre os focos emocionais do cérebro e o sistema imunológico e cardiovascular. Quando sofremos de uma tensão nervosa crónica, quando o corpo se vê continuamente pressionado nesta luta interna, com a consequente descarga de hormonas, diminui a capacidade do sistema imunológico defender-se dos vírus, por mais pequenos que possam ser, ao mesmo tempo que o coração se vê obrigado a aumentar a pressão sanguínea e a bombear desesperadamente com intuito de preparar o corpo para uma emergência. A consequência final é o aumento da vulnerabilidade perante enfermidades de todo o tipo. Pelo contrário, quando a nossa mente está em paz consigo mesma, ela protege a saúde do corpo. Este é um dos princípios fundamentais de vários sistemas tradicionais, como é o caso da Medicina Tradicional Tibetana, Medicina Chinesa, Medicina Ayurvédica, Taoísmo, entre outras.

Distracção dos sentidos




Um homem sussurrou: Deus, fale comigo!
E um rouxinol começou a cantar. Mas o homem não ouviu.
E repetiu: Deus, fale comigo!
E um trovão ecoou nos céus. Mas o homem foi incapaz de ouvir.
Olhou em volta e disse: Deus, deixe-me vê-lo!
E uma luz brilhou no céu. Mas o homem não a notou.
E começou a gritar: Deus mostre-me um milagre! E uma criança nasceu.
Mas o homem não sentiu o pulsar da vida.
E começou a chorar e a desesperar-se.
Deus, toque-me e deixe-me sentir que você está aqui comigo!
E uma borboleta pousou suavemente no seu ombro. O homem espantou a borboleta com a mão.
E, desiludido continuou sem rumo, triste, sozinho e com medo.  

Dos Índios Cherokees (Livro By San Etioy)